sexta-feira, 12 de outubro de 2018

FRENTE DE EVANGÉLICOS SE LEVANTA CONTRA BOLSONARO



247 - Embora lidere entre os evangélicos, muitos líderes religiosos têm se levantado contra a candidatura de Jair Bolsonaro e o discurso de ódio do candidato de extrema-direita. Desta vez foi a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, que divulgou um comunicadocontra o deputado federal. Leia a íntegra da nota:

A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito reafirma sua posição contra a candidatura de Bolsonaro, reconhecendo suas propostas e falas incoerentes com a mensagem de Jesus Cristo, e incoerentes com a construção de uma democracia participativa, com garantias de direitos e promoção da justiça.

As propostas de Bolsonaro representam a barbárie, onde a violência será estabelecida como ferramenta de controle. Nós, os crentes que compomos a Frente de Evangélicos, não reconhecemos nossa fé nessas bases. A nossa fé nos faz crer no amor e na transformação.

Nesta sexta-feira 12, a TV 247 publicou o segundo vídeo do Pastor Fábio Bezerril Cardoso em que ele desconstrói Bolsonaro. No primeiro, Fábio explicou por que o voto em Bolsonaro não é um voto cristão.




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COMO HITLER, BOLSONARO DÁ A SEUS APOIADORES CARTA BRANCA PARA AGREDIR

  Por:Alex Solnik

Isso que estamos vendo nas ruas, as agressões brutais a pessoas identificadas com o PT não é o retrato de uma luta política para vencer as eleições na marra, no grito, na força; é um trailer do que será o Brasil se Bolsonaro for eleito. É o clima em que viveremos durante os quatro anos de seu governo se essa desgraça anunciada acontecer.
Quando ele diz que não consegue controlar seus apoiadores que agem como se fossem donos do país está lhes dando uma carta branca para barbarizar.
E ele ainda nem chegou ao poder.
Na Alemanha dos anos 30, atolada na miséria, o histérico, esquisito e desconhecido Adolf Hitler venceu as eleições atribuindo a culpa pela desgraça alemã aos judeus.
Seus eleitores não tiveram dúvida: passaram a agredir, atacar e matar judeus achando que assim levariam o país à prosperidade. Sem judeus a Alemanha voltaria a crescer.
Ao assumir, Hitler fundou o 3º. Reich e transformou o extermínio de judeus em política de estado, exacerbando a ideia de que acabando com esses seres de raça impura os problemas da Alemanha seriam resolvidos.
Agora sabemos que esse transe coletivo comandando por um maluco serial killer resultou num genocídio sem precedentes de judeus, ciganos e gays – os impuros – e levou o mundo à Segunda Guerra.
Milhões de pessoas foram assassinadas – não apenas judeus, ciganos e gays - e a miséria na Alemanha só aumentou.
Quando os alemães perceberam que a culpa não era dos judeus e sim de Hitler já era tarde demais. O país estava destruído. E boa parte da Europa também. Os alemães passaram a ser confundidos com Hitler. Ser alemão era vergonhoso e vexatório.
Não é difícil enxergar em Bolsonaro as mesmas características de Hitler. Não por coincidência ele já declarou que seu avô foi soldado nazista e que ele não teria problema em ser um (está em vídeo, na internet) e quando circulou um pôster onde seu retrato ganha um bigodinho de Hitler ele disse que não ficou ofendido, ficaria se fosse associado a gay.
Podemos compreender que os alemães dos anos 30, que nunca tinham visto algo semelhante tenham caído na lorota sanguinária de Hitler. Mas é inaceitável que mais de 80 anos depois daquele Armagedon milhões de brasileiros acreditem num novo Hitler que a repete, espalha a mentira de que a culpa pela miséria em que estamos é dos petistas e uma vez exterminados o Brasil vai voltar a sorrir.
Tal como na Alemanha, os ataques estão começando pelos petistas, para logo adiante se voltarem contra todos aqueles que não se ajoelharem aos pés do ditador. E a miséria só vai aumentar. E quando os brasileiros descobrirem que os culpados não eram os petistas será tarde demais. Todos os brasileiros serão confundidos com Bolsonaro e será vergonhoso ser brasileiro.
O Brasil corre o risco de tirar das urnas um novo Hitler e, a duas semanas do ponto de não-retorno as principais lideranças do país parecem desconhecer que está em gestação o IV Reich.247

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Paula Guerra, mais uma vítima do ódio nas eleições

Funcionária da Fundaj foi agredida, seriamente, no último domingo, por pura radicalização e extremismo político

   Por: Folha de Pernambuco
Paula Guerra foi atacada por uma mulher em um bar no Recife
Paula Guerra foi atacada por uma mulher em um bar no RecifeFoto: Paullo Allmeida/Folha de Perambuco


O crescimento das agressões por divergências políticas tem marcado a eleição geral deste ano. Nos últimos dias, vários casos de violência foram registrados em todo o País. No Recife, uma das ocorrências mais graves é o da servidora pública Paula Pinheiro Ramos Pessoa Guerra, que foi agredida por outra mulher, no último domingo (7), após uma discussão em um bar. Ela recebeu alta na última quarta-feira (10) e prestou queixa na quinta (11). Na ocasião, Paula usava bottons e adesivos em apoio ao candidato Ciro Gomes e ao movimento #ele não - contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

Muito abalada, em entrevista à Folha de Pernambuco, Paula detalhou o que aconteceu no dia da eleição e afirmou que nunca imaginou passar por essa situação. “Eu sempre fui muito ligada em política. E esse ano, mais do que nunca, porque a gente está vendo uma situação que eu esperava nunca ver”, comentou. Ela explicou que decidiu ver a apuração dos votos no bar que costumava frequentar e, ao sair para fumar, um grupo de pessoas que estava sentado na primeira mesa do estabelecimento iniciou uma discussão e, em tom ameaçador começou a questionar se ela "sabe o que é uma arma" ou se "já viu uma arma". 

Para se precaver, ela gravou vídeos dos envolvidos e voltou à sua mesa. Pouco tempo depois, a agressora, que não estava na hora da discussão, chegou pedindo o celular da vítima. "Eu disse ‘eu não vou dar o meu celular’. Aí foi quando ela deu o primeiro murro e eu já fiquei desorientada. Foi uma sequência de agressões, no braço, nos dois olhos, estou todo roxa, toda dolorida. E ela ainda conseguiu, no final, pegar o meu celular e estourar no chão”, contou Paula. 

A servidora pública conta que, durante a agressão, a sua roupa foi rasgada e todos os bottons que ela usava foram arrancados. Porém, ela garante que voltará a usá-los no dia da votação do segundo turno. “Eu vou fazer isso no dia da eleição (usar o material). É assustador. Muito assustador. Eu não sei direito o que pensar do futuro, como vai ser o nosso futuro. Mas enquanto houver um fiozinho de esperança eu estou agarrada nele”, disse. 

Paula afirmou, ainda, estar com medo de sair de casa e disse que recebeu orientações para evitar as redes sociais. “São várias agressões, não é o que eu classifico como uma democracia, uma eleição em um país democrático. Eu acho que a coisa está bem desenfreada. Estou muito assustada. É barbárie total”, comentou. 

Por meio de nota, a Fundaj - local de atuação da servidora espancada - afirmou que repudia qualquer tipo de violência e que defende a apuração dos fatos pelas autoridades policiais e a punição devida dos envolvidos com as agressões sofridas pela servidora. A Fundação também se colocou à disposição “para ajudá-la no que for necessário”. 

A secretária da Mulher do Governo de Pernambuco afirmou que o caso de Paula está sendo acompanhado. “A Secretaria da Mulher vai monitorar todo esse processo por se tratar de uma mulher, as nossas estruturas de proteção estão à disposição da vítima”, pontuou. “Eu acho que violência é o caminho mais ignorante que se tem para resolver qualquer coisa. A gente pode divergir, ter ideias divergentes, mas até onde eu sei nós somos seres civilizados. Abaixo a violência, sempre”, finalizou Paula.



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Na Bahia, nove veículos se envolvem em engavetamento; seis carros pegam fogo e ficam destruídos


Um acidente impressionante ocorreu na manhã deste feriado de 12 de outubro pouco depois do distrito de Rio do Meio em Itororó na BA 263, após um carro frear bruscamente e acabar causando um engavetamento com 9 veículos atingidos e 6 deles sendo carbonizados no local


Veículos ficaram completamente destruídos no engavetamento

Segundo informações dos motoristas dos veículos, o primeiro carro freou bruscamente após um incidente de fumaça provocada por queimadas na região atingir em cheio o carro. Com isso, outros 8 carros bateram enfileirados, sendo que o primeiro e mais 5 carros pegaram fogo e foram totalmente destruídos.

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Até o momento a polícia não fez o levantamento exato da quantidade de vítimas que estavam nos veículos, mas, pode-se afirmar que pelo menos 5 pessoas passaram pelo Hospital e Maternidade de Itororó com ferimentos leves e se direcionaram para Itapetinga, uma criança e um idoso foram encaminhados pelo SAMU para a cidade de Vitória da Conquista, sendo que o idoso tem uma fratura exposta de tornozelo e mais uma mulher que foi conduzida também pelo SAMU local para a cidade de Itapetinga com suspeita de fratura de fêmur.

No momento temos o nome de duas vitimas que foram encaminhadas para o HOSPITAL DE VITORIA DA CONQUISTA POR DUAS UNIDADES DO SAMU. AS MESMAS SE ENCONTRAVAM CONSCIENTES.
SÃO ELAS:
*ARMINDA GRACIELE SOUZA COSTA/ 30 ANOS
*ADELMARIO ALVES DA SILVA/ 53 ANOS
AMBOS RESIDENTES NA RUA NESTOR GUIMARÃES N°178 BAIRRO JUREMA/ VIT. DA CONQUISTA.

As queimadas têm sido frequentes em toda a região causando prejuízos imensuráveis para as matas, a população e ocasionando vários acidentes. O acidente não foi mais grave, pois, as vítimas conseguiram sair dos veículos antes que o fogo se alastrasse. O feriado atrai muitos turistas de toda a região e de outros estados, por isso, o acidente envolveu vários carros que transitavam sentido o litoral sul baiano.(Blog Itororó Já)




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Fenaj defende democracia e critica 'fascismo emergente'

Crítica se dirige a declarações do candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), sobre grupos como mulheres, negros, LGBTIs, entre outros grupos.

  Por: Folha de Pernambuco
Fenaj emite nota contra Bolsonaro
Fenaj emite nota contra BolsonaroFoto: Reprodução/Facebook


A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) publicou uma nota na quinta-feira (11) sobre a eleição presidencial em defesa da democracia e contra o fascismo emergente. Segundo o texto, a disputa "não se dá entre dois projetos democráticos, mas entre uma candidatura que respeita a institucionalidade e o jogo democrático e outra que representa uma regressão política e até mesmo civilizatória". A crítica se dirige a declarações do candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), sobre grupos como mulheres, negros, LGBTIs, entre outros grupos. 

"Além de um dever cívico, é também uma obrigação ética dos jornalistas posicionarem-se contra um candidato a presidente da República que faz apologia da violência, não reconhece a história do país, elogia torturadores, derrama ódio sobre negrosmulheresLGBTIsíndios pobres e ainda promete combater o ativismo da sociedade civil organizada. Esse candidato é Jair Bolsonaro, do PSL." 
O texto afirma que o postulante faz uma "campanha despolitizada, assentada em valores morais, família e religião", mas representa, na verdade, os que não se conformaram com a redemocratização e com os avanços sociais ocorridos na última década". "Bolsonaro representa os que temem a democracia e a organização do povo; fala em nome daqueles que não se incomodam com privilégios nem com a corrupção e que não se constrangem com o uso da força onde e quando julgarem necessário."



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Estagiário da Folha de Pernambuco é agredido no Bairro do Recife

Estudante prestou queixa do ataque homofóbico na Delegacia de Boa Viagem na noite desta quinta (11). Levantamento inédito aponta pelo menos 70 ataques nos últimos 10 dias no país, a maioria partindo de apoiadores do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL)

  Por: Luiza Alencar e Marcelo Montanini/folhape
Estudante de jornalismo foi agredido por um desconhecido de moto
Estudante de jornalismo foi agredido por um desconhecido de motoFoto: Paullo Allmeida/Folha de Perambuco


O caso da servidora pública Paula Pinheiro Ramos Pessoa Guerra não foi o último e as situações de violência que se espalham pelo país estão longe de ser isoladas. Na noite desta quinta-feira (11), um estagiário da Folha de Pernambuco foi agredido por um homem enquanto caminhava pelo Marco Zero, no Bairro do Recife.

O estudante registrou um boletim de ocorrência na delegacia de Boa Viagem. Apesar de não ter mencionado um candidato ou partido político na ocasião, a vítima acredita que a agressão foi praticada por um eleitor "da pessoa que propaga esse tipo de discurso". Na delegacia, por se tratar da equipe de plantão, os policiais não souberam relatar outros casos e não deram declarações.
"Passa um cara na moto, no meio no trânsito, e dá uma leve freada. Eu pensei que fosse para eu passar, mas na verdade foi para ele passar e dar tapa na minha cabeça. Ele falou: 'essa raça vai acabar, viu?' em tom bom incisivo. Isso me deixou muito preocupado", explica. "Eu acho que foi pelo fato de eu estar andando 'afeminado'. Eu fui vítima de homofobia. Preconceito dele porque eu dou a entender que sou homossexual", completou. 

Após prestar queixa, o estudante declarou que espera que as providências sejam tomadas e que as pessoas "que atuam dessa forma não fiquem impunes, porque esse tipo de discurso não é condizente com a democracia que a gente vive". No local da agressão existem câmaras de segurança que podem ser avaliadas posteriormente para auxiliar na identificação do agressor. "A partir de hoje eu não vou andar mais só. Seu eu andava, hoje não ando mais", finalizou.


De acordo com um levantamento inédito feito pela Agência de Jornalismo Investigativo Publica, em parceria com a Open Knowledge Brasil, ocorreram pelo menos 70 ataques nos últimos 10 dias no país. A maioria partiu de apoiadores do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), 50 deles. Por outro lado, seus eleitores ou pessoas relacionadas ao militar da reserva receberam seis ataques. Além disso, 15 agressões de situação indefinidas foram contabilizadas. Entre os episódios registrados pela Publica, 14 aconteceram na região Sul, 33 na região Sudeste, 18 na região Nordeste, três na Centro-Oeste e três na região Norte.



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AO FUGIR DE DEBATE POR ESTRATÉGIA, BOLSONARO DESMORALIZA SEUS MÉDICOS

REUTERS/Paulo Whitaker

Por Esmael Morais, em seu blog –O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) em tese incapacitado para o debate na TV que aconteceria nesta sexta-feira, na Band TV, desmoralizou esta tarde o atestado de seus médicos. Ele mostrou-se perfeitamente saudável para atacar a mídia e o PT durante reunião em hotel de luxo no Rio.
"Tomem muito cuidado com a mídia. Ela quer ganhar uma escorregada para me atacar. Recomendo nem falar [com jornalistas], que parte da mídia quer nos desgastar", recomendou Bolsonaro.
Segundo o candidato do PSL, a imprensa é adversário e dissemina notícias falsas sobre ele.
Levantamento da Folha de S. Paulo, no início da semana, aponta que são falsas 97% das notícias compartilhadas por apoiadores de Bolsonaro no WhatsApp.
O TSE, inclusive, pediu ajuda do aplicativo de mensagens instantâneas para combater as fake news originadas na campanha de Bolsonaro. O tribunal se preocupa com notícias falsas como aquela sobre fraudes nas urnas eletrônicas.


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ATO ANTIFASCISTA PROTESTA CONTRA BOLSONARO EM PORTO ALEGRE


247 - Centenas de pessoas se reuniram para o Ato Antifascista nesta quinta-feira na região central de Porto Alegre. Após se reunirem na Esquina Democrática, o grupo percorreu as ruas centrais e se manifestou contra uma possível eleição de Jair Bolsonaro.
Liderado em grande parte pelo público feminino, o ato, organizado pela Frente Povo Sem Medo, contou com cartazes como: "Mulheres sem medo contra o fascismo", "Todas contra Bolsonaro" e "Mulheres uni-vos para derrotar o machismo".
Assista a vídeo do Jornalistas Livres do ato:



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FREI BETTO VÊ PARALELO ENTRE BOLSONARISMO E ASCENSÃO DO NAZISMO


lemanha", argumenta o dominicano, que recentemente lançou duas obras: Sexo, orientação sexual e "ideologia de gênero" e Por uma educação crítica e participativa (Anfiteatro).
Por razões políticas, Frei Betto foi preso duas vezes durante a ditadura militar (1964 e de 1969 a 1973). Já no período democrático, logo após a eleição de Lula, ajudou na elaboração do programa Fome Zero e trabalhou como assessor especial do ex-presidente (2003 e 2004).
O religioso nunca poupou de críticas o Partido dos Trabalhadores ao longo dos anos. "O PT, embora tenha feito o melhor governo de nossa história republicana nos dois mandatos de Lula e no primeiro de Dilma, não cuidou de promover a alfabetização política de nosso povo. E buscou assegurar a governabilidade por alianças, muitas delas promíscuas", avalia.
Para ele, se Haddad vencer, "teremos um governo voltado às questões sociais", mas alerta: nenhum dos candidatos "livrará o Brasil de intensa turbulência nos próximos dez anos".
Até agora predominaram os discursos antipetista dos bolsonaristas e antibolsonaro dos haddadistas. Com o segundo turno parece que eles mudam de tom. Bolsonaro se apresenta como flor que se cheira, pleno de amor aos pobres, de defensor das mulheres, de respeitador dos homossexuais. E Haddad se foca em propostas efetivas de melhorias de vida do povo brasileiro, o que me parece acertado. Haddad se desloca do mero protesto para reais propostas.
Qual é, na sua opinião, a responsabilidade do PT nessa onda de direita? Por que o antipetismo é colocado à frente de questões que envolvem os direitos humanos?
Porque o PT, embora tenha feito o melhor governo de nossa história republicana nos dois mandatos de Lula e no primeiro de Dilma, não cuidou de promover a alfabetização política de nosso povo. E buscou assegurar a governabilidade por alianças, muitas delas promíscuas, com o que havia de mais retrógrado na política brasileira, quando deveria fazê-lo para mobilização de quem deu as vitórias do PT: os movimentos sociais.
Além disso, não criamos uma narrativa capaz de incluir o brasileiro como protagonista de um processo político. Acenamos com luz, casa, carro, escola etc., sem a contrapartida da densidade subjetiva, ou seja, uma cosmovisão que ajudasse o cidadão a se situar no conflito de classes.
O que o PT e Haddad precisam fazer para conter essa onda de direita?
Primeiro, ganhar a eleição dia 28 de outubro! Em seguida, fazer uma séria e profunda autocrítica dos equívocos cometidos ao longo de 13 anos de governo, como fiz nos livros A mosca azul e Calendário do poder, ambos editados pela Rocco, e apresentar um consistente programa de reformas estruturais.
Depois de se posicionar publicamente no primeiro turno das eleições gerais no país contra discursos de ódio e violência, agora a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pede ao eleitor católico que, ao escolher seus candidatos, na votação de segundo turno, atente para aqueles que ajudem a preservar, e não a destruir, sistemas democráticos. Como o senhor avalia esse posicionamento da CNBB?
A CNBB deveria ter se posicionado já no primeiro turno. Mas ainda bem que o faz agora. Porém, sem a força de mobilização que têm as Igrejas evangélicas. Nestas o pastor falou, o fiel calou porque aceitou. Na Igreja Católica há, infelizmente, grande contingente de bolsonaristas.
Como Haddad pode se aproximar dos católicos e quais seriam as demandas da igreja que ele teria que atender?
É um pouco tarde para essa aproximação. O PT deveria ter mantido um canal de diálogo com todas as instituições que têm um mínimo de abertura às suas propostas. Ainda assim, Haddad deve focar seu discurso no drama social do povo brasileiro, e não na pauta moralista de alguns setores religiosos.
Como a ascensão evangélica no Congresso está mudando as relações sociais e políticas no país?
Devo dizer que respeito todas as Igrejas evangélicas, mas discordo dos cristãos – sejam eles católicos ou evangélicos – que usam o nome de Deus para fortalecer a desigualdade social e o preconceito a gays, negros, quilombolas e movimentos sociais como o MST e o MTST.
No Congresso, infelizmente a bancada da Bíblia tem esse perfil conservador e se cumplicia com as outras bancadas do B: banco, bola, bala e boi. E essa gente demoniza tudo que foge a seus interesses corporativos, como promover a acumulação privada do capital e manter o abismo entre ricos e pobres no qual o Brasil afunda.
Na sua opinião, por que Bolsonaro conseguiu dialogar mais com essa parcela do eleitorado?
Porque soube surfar no vácuo da crise política, que levou ao descrédito das instituições, dos políticos e da política, e no moralismo suscitado pela partidarização da Lava Jato.
Aborto e questões de gênero são temas que racham tanto evangélicos quanto católicos. Qual sua avaliação sobre esses temas?
Acabo de publicar uma cartilha popular intitulada Sexo, orientação sexual e "ideologia de gênero". Esses temas têm sido debatidos com mais ardor emocional que lógica racional. Os mesmos que não aceitam a descriminalização do aborto aplaudem quando a polícia atira antes de perguntar. E a diversidade de gênero é tão inquestionável como o fato de a Terra girar em redor do Sol. Mas há quem insista que é o Sol que gira em torno da Terra... Pobre Galileu!
O senhor foi um dos perseguidos pela ditadura militar de 1964 que Jair Bolsonaro (PSL) defende abertamente. Qual o seu sentimento em relação a essas declarações públicas?
Sentimento de que o Judiciário brasileiro falhou redondamente ao criar a lei esdrúxula da anistia recíproca e não punir os responsáveis por rasgarem a Constituição e impor ao Brasil um regime de terror que, impunemente, assassinou, estuprou, prendeu, torturou e exilou ao longo de 21 anos. Bolsonaro é resultado dessa grave omissão.
O senhor vê paralelo entre 1964 e nosso atual momento?
Não. Vejo paralelo entre o momento atual e a eleição de Hitler na Alemanha, pelo voto democrático, em 1933.
Pode, por favor, explicar um pouco mais esse paralelo?
Em 1964 houve um golpe militar que expulsou do poder o presidente da República e suspendeu todas as garantias constitucionais. Não se pode comparar uma eleição democrática, como a atual no Brasil, com o golpe de 1964. Mas sim com a eleição de Hitler na Alemanha, em 1933.
Veja: Ele nada entendia da situação real do país. Nem demonstrava interesse por ela, embora atuasse ativamente na política. Por isso não gostava de ser questionado, irritava-se diante das perguntas como se fossem armas apontadas em sua direção. Não queria que a sua ignorância se tornasse explícita.
Ser estranho, ele tinha olhos alucinados afundados nas órbitas, lábios espremidos, gestos cortantes. Todo o seu corpo era rígido, como se moldado em armadura. Ao ficar na defensiva, parecia uma fera acuada. Ao passar à ofensiva, a fera exibia garras afiadas e de suas mandíbulas pingava sangue.
Sua fala exalava ódio, rancor, preconceito. Aliás, não falava, gritava. Não sabia sorrir, tratar alguém com delicadeza, ter um gesto de cortesia ou humildade. Evitava ao máximo os repórteres. Julgava suas perguntas invasivas. E temia que a sua verdadeira face antidemocrática transparecesse em suas respostas.
Educado em fileiras militares, aprendera apenas a dar e cumprir ordens, enquadrar quem o cercava e ultrajar quem se opunha às suas opiniões. Jamais aceitava o contraditório ou praticava um mínimo de tolerância. Considerava-se o senhor da razão.
A nação estava em frangalhos, mergulhada em crise ética, política e econômica, e o horizonte da esperança espelhado em trevas. Pelo país afora havia milhares de desempregados, criminalidade generalizada, corrupção em todas as instâncias de poder. O câmbio disparara, a moeda nacional perdia valor, o descontentamento era geral. O governo carecia de credibilidade e se via cada vez mais fragilizado. O povo clamava por um salvador da pátria.
Jovens desesperançados viam nele um avatar capaz de inaugurar a idade de ouro. Era ele o cara, surfando na descrença generalizada na política e nos políticos. O Executivo se debilitara por corrupção e incompetência, o Legislativo mais parecia um ninho de ratos, o Judiciário se partidarizara submisso a interesses escusos.
Ele se dizia cristão e se considerava ungido por Deus para livrar o país de todos os males. Advogava soluções militares para problemas políticos. Movido pela ambição desmedida, se apresentou como candidato à eleição democrática para ocupar o mais alto posto da República, embora ostentasse a patente de simples oficial de baixo escalão do Exército.
De sua oratória raivosa ressoava o discurso agressivo, bélico, insano. Haveria de modificar todas as leis para implantar uma ordem marcial que poria fim a todas as mazelas do país. Eleito, seria ele o comandante em chefe, e todos os cidadãos passariam a ser tratados como meros recrutas obrigados a cumprir estritamente as suas ordens.
Prometia fortalecer o aparato policial e as forças armadas. Sua noção de justiça se resumia a uma bala de revólver ou a um tiro de fuzil. Eleito, excluiria da vida social um enorme contingente de pessoas consideradas por ele sub-humanos e indesejáveis, mulheres, homossexuais, trabalhadores em luta por seus direitos e comunistas. Todos que se opunham às suas opiniões eram por ele apontados como bodes expiatórios da desgraça nacional.
Seu mandato presidencial haveria de trazer a era de fartura e prosperidade. Reergueria a economia e asseguraria oportunidades de trabalho a todos. Exaltaria os privilégios do capital sobre os direitos dos trabalhadores. Aqueles que o seguissem seriam felizes, e livres para sobrepor a lógica das armas ao espírito das leis. Os demais, excluídos sumariamente do convívio social.
Enfim, após uma série de manobras políticas e forte repressão às forças adversárias, ele foi eleito chefe de Estado. A nação entrou um júbilo. O salvador havia descido dos céus! Ou melhor, brotado das urnas.
Tudo isso aconteceu há 85 anos, em 1933. Na Alemanha alquebrada pela derrota na Primeira Grande Guerra. O nome dele era Adolf Hitler.
As comunidades de base da Igreja Católica tiveram um grande papel na politização popular nos anos 1960 e na resistência à ditadura nas décadas seguintes. Qual a diferença que o senhor vê entre essa atuação e a que é feita pelas igrejas neopentecostais neste momento?
As CEBs [comunidades eclesiais de base] sofreram desvalorização sob os pontificados de João Paulo II e Bento XVI. Então muitos fiéis pobres migraram para igrejas neopentecostais. Agora, com o papa Francisco, as CEBs voltam a ter espaço na Igreja, mas infelizmente foram debilitadas. As CEBs são a fonte da teologia da libertação. E as igrejas neopentecostais adotam a teologia da prosperidade, ou seja, do próprio umbigo, sem nenhuma dimensão social da mensagem do Evangelho.
Em uma entrevista para o El País Brasil, o senhor diz que "a igreja evangélica está cometendo o mesmo erro que a Igreja Católica cometeu na Idade Média". O que isso significa?
No período medieval, a Igreja conquistou a hegemonia sobre a sociedade, a ponto de o papa coroar reis e nomear príncipes. Hoje algumas igrejas evangélicas procuram confessionalizar a política e anular a laicização da sociedade civil.
Por meio do poder, em cujas estruturas há cada vez mais pastores, se empenham em fazer coincidir os preceitos religiosos com as leis civis, como a demonização dos homossexuais e a condenação do Carnaval.
Amanhã um pastor na Presidência da República ou no STF pode insistir em estabelecer, em todo o país, a Lei Seca, proibindo a fabricação, a venda e o consumo de bebidas alcoólicas, como se tentou nos anos de 1930 nos EUA.
A Igreja se afastou do povo? Por que esse trabalho com as comunidades de base perdeu força?
Porque não teve apoio da hierarquia, ou seja, de bispos e padres. Como adverte o papa Francisco, enquanto a Igreja Católica não se desclerizar, isto é, abandonar o clericalismo que a domina, ele não será em "Igreja em saída", como frisa o papa.
A esquerda se afastou da Igreja Católica ou foi a Igreja Católica que se afastou da esquerda?
Sempre houve setores da esquerda na Igreja Católica, e eu me identifico com eles. Mas hoje é raro encontrar um cardeal de esquerda, como dom Paulo Evaristo Arns; um arcebispo de esquerda, como dom Helder Câmara; um bispo de esquerda, como dom Pedro Casaldáliga. Por isso a esquerda laica não tem muito interesse em manter vínculos com a Igreja Católica.
Se Bolsonaro ganhar, o senhor vê riscos à democracia? E quais seriam os riscos de uma vitória de Haddad?
Se o Bolsonaro ganhar a eleição, teremos um governo autoritário, uma ditadura revestida de democracia, como o governo de Hitler no início dos anos 1930 na Alemanha. Se Haddad vencer, teremos um governo voltado às questões sociais, ampliando nosso espaço democrático. Mas nenhum dos dois livrará o Brasil de intensa turbulência nos próximos dez anos. Contudo, insisto em meu axioma: guardemos o pessimismo para dias melhores!247


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VOTEMOS NA CIVILIDADE, PEDE MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS


247 - Em um manifesto assinado por diversos artistas, como os atores e atrizes Letícia Sabatella, Wagner Moura, Beth Carvalho, Camila Pitanga e Bruno Garcia, pede-se um voto "na civilidade, no respeito pelas pessoas, pelo que é diferente".
"Também votaremos na educação, na saúde, no salário mínimo digno, no décimo terceiro salário, nas férias remuneradas, na convivência pacífica entre os brasileiros. Também somos contra a corrupção, mas de todas as formas", diz outro trecho do texto.
Os artistas criticam ainda a onda de ódio que tem gerado uma série de atos de violência no País contra pessoas que dizem votar no PT ou serem contra Jair Bolsonaro e lembram de temas específicos já tratados com preconceito pelo candidato, como o respeito "a cada região do País" e "respeito ao povo quilombola e seus territórios".
Votamos na Civilidade
Vamos votar na civilidade, no respeito pelas pessoas, pelo que é diferente. Também votaremos na educação, na saúde, no salário mínimo digno, no décimo terceiro salário, nas férias remuneradas, na convivência pacífica entre os brasileiros.
Também somos contra a corrupção, mas de todas as formas, inclusive de todos os partidos e pessoas envolvidas, mas também contra a corrupção dos bilhões de reais nos paraísos fiscais do mundo, na sonegação de impostos, na subtração dos direitos trabalhistas e previdenciários. Somos contra a corrupção, mas também contra a hipocrisia.
Votamos no respeito e no diálogo entre as diferenças, na convergência saudável, no equilíbrio, na democracia. Por isso, repudiamos a tortura, a discriminação racial, sexual e o armamentismo da população. Igualmente repudiamos a indústria armamentista que banca candidatos, mas que ganha fortunas vendendo armas e pondo a vida do povo em verdadeira situação de guerra civil.
Repudiamos as agressões de todos os tipos, inclusive o assassinato de pessoas por diferenças políticas, como acaba de acontecer na Bahia, com o assassinato do capoeirista Moa do Katendê.
Queremos a preservação de nossos biomas, nossa biodiversidade, começando pela Amazônia, decisiva para o ciclo de nossas águas, inclusive pelas chuvas que irrigam todo o Brasil, chegando até os estados do Sul, como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, indo inclusive até o Uruguai, Paraguai e Argentina. Sem as chuvas dos rios voadores amazônicos o Sul e o Sudeste viram um deserto. A natureza é solidária, nós podemos ser também.
Votamos pelo respeito ao povo quilombola e seus territórios, indígena e seus territórios e respeitamos todo o povo brasileiro, porque nossa variedade é uma riqueza e não um problema.
Por isso votamos nos programas sociais, nos programas de água, nos programas de energias limpas, na revitalização de nossos rios, na convivência com o Semiárido.
Respeitamos cada região do país, com seu jeito, seu tipo físico, sua cultura. Se soubermos conviver, teremos um imenso e feliz país.
Enfim, votamos na civilidade.
Leticia Sabatella
Roberto Malvezzi
Maria Clara Spinelli
Martha Nowill
Arrigo Barnabé
Fernando Alves Pinto
Flávia Lacerda
Luciana Pessanha
Karine Carvalho
Alcides Nogueira
Petra Costa
Wagner Moura
Pastor Henrique Vieira
Paulo Lins
Joelson Medeiros
Malu Valle
Teresa Cristina
Ali Muritiba
Elisa Lucinda
Luisa Lima
Olivia Byington
Chandelly Braz
Humberto Carrão
Zezé Polessa
Beth Carvalho
Bruno Garcia
Zezé Polessa
Hique Gomes
Maria Casadeval
Sophie Charlotte
Dira Paes
Gisele Fróes
Ana Cañas
Lira
Carlos Walter Porto Gonçalves
Camila Pitanga
Heloisa Averbuck
Kenarik Boujoukian
Monique Gardemberg

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