Lula, bolsa de valores e dólares (Foto: Julia Prado/MS | ABR)
O Ibovespa avançou 1,5% nesta quinta-feira (9) e fechou acima dos 195 mil pontos pela primeira vez na história, impulsionado por uma trégua na aversão a risco no cenário internacional, mesmo com a percepção de um cessar-fogo ainda frágil entre Estados Unidos e Irã. O índice subiu 1,52%, aos 195.129,25 pontos, após oscilar entre 195.513,91 na máxima e 192.206,22 na mínima, com volume financeiro de R$ 37,2 bilhões.As informações são da agência Reuters.
O dólar fechou a quinta-feira em baixa ante o real, no menor valor desde abril de 2024, influenciado pelo cessar-fogo entre os dois países. A divisa à vista recuou 0,80% e encerrou cotada a R$ 5,0626, menor nível desde 9 de abril de 2024, quando atingiu R$ 5,0067. No acumulado do ano, a queda chega a 7,77%.
O desempenho do Ibovespa consolida um novo patamar histórico para o mercado brasileiro, sustentado por fatores externos mais favoráveis e pela continuidade do interesse de investidores estrangeiros. O desempenho do dólar reflete tanto fatores externos quanto a entrada consistente de capital estrangeiro no Brasil.
Bolsa de Valores
No cenário global, o petróleo Brent encerrou o dia com alta de 1,23%, cotado a US$ 95,92, após reduzir ganhos ao longo da sessão. O movimento veio depois de forte queda na véspera. Nos Estados Unidos, o índice S&P 500 avançou 0,62%, acompanhando a melhora no humor dos investidores.
O superintendente da Necton/BTG Pactual, Marco Tulli Siqueira, avaliou o momento internacional. “Há ainda muita tensão envolvendo a situação no Oriente Médio, mas hoje o mundo está um pouco mais calmo”, afirmou. Ele também destacou que o cenário mais negativo indicado pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não se confirmou.
O fluxo de recursos estrangeiros segue como fator de sustentação para o mercado acionário brasileiro. Desde o início do conflito no fim de fevereiro, a bolsa mostra resistência. Mesmo com desempenho negativo em março, o Ibovespa registrou entrada líquida de capital externo, movimento que continua em abril, com saldo positivo de R$ 1,6 bilhão até o dia 6.
O sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, apontou que o anúncio de cessar-fogo contribuiu para a recuperação dos ativos. “trouxe a calmaria que o Ibovespa precisava para continuar batendo máximas históricas”, afirmou, ao comentar o impacto da redução da volatilidade, mesmo com riscos ainda presentes no Oriente Médio.
Entre os destaques do pregão, Petrobras PN subiu 2,77%, acompanhando o avanço do petróleo no mercado internacional. No setor, PRIO ON ganhou 2,11%, Brava Energia ON avançou 3,55% e PetroReconcavo ON registrou alta de 1,6%.
Os bancos também contribuíram para o desempenho positivo. Itaú Unibanco PN subiu 1,71%, enquanto BTG Pactual Unit avançou 1,5%. Bradesco PN teve alta de 0,59%, Banco do Brasil ON subiu 0,94% e Santander Brasil Unit avançou 1,81%.
Na direção oposta, Vale ON caiu 1,05%, pressionada pela queda dos contratos futuros do minério de ferro na China. O contrato mais negociado em Dalian recuou 2,53%, a 750 iuanes por tonelada, menor nível desde o início de março.
Outros papéis também chamaram atenção. Sabesp ON subiu 3,3% após apresentar plano de investimentos de cerca de R$ 20 bilhões para 2026 e reforçar metas de universalização de serviços. Auren Energia ON avançou 3,81%, em linha com o desempenho positivo do setor elétrico. Hapvida ON liderou os ganhos do dia, com alta de 4,74%, após notícias sobre aumento de participação acionária e planos de venda de ativos no Sul do país.
Dólar
No mercado futuro, o dólar para maio, o contrato mais negociado na B3, caiu 0,71% e fechou a R$ 5,0860. Na sessão anterior, a moeda já havia recuado com força diante do otimismo gerado pelo acordo entre Estados Unidos e Irã. Nesta quinta-feira, dúvidas sobre a implementação do cessar-fogo e sobre a retomada do fluxo marítimo no Estreito de Ormuz reduziram o entusiasmo dos investidores.
O tráfego na região permaneceu abaixo de 10% do volume habitual, enquanto o governo iraniano reafirmou controle sobre a área e orientou embarcações a permanecerem em suas águas. Em paralelo, Israel realizou novos ataques no Líbano, e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu indicou a intenção de iniciar negociações que envolvem o desarmamento do Hezbollah.
Mesmo com esse cenário de incerteza, o dólar perdeu força frente a moedas emergentes como o real, o peso chileno e o peso mexicano. Ao longo do dia, a cotação no Brasil oscilou entre máxima de R$ 5,1070 pela manhã e mínima de R$ 5,0586 à tarde, acompanhando a valorização do Ibovespa e a queda das taxas de juros no mercado local.
Para o especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, o movimento contrariou fatores que normalmente sustentariam a moeda estadunidense. “Mesmo em um ambiente de incerteza geopolítica e petróleo elevado (próximo de US$100), que em tese sustentariam o dólar, o mercado operou na direção oposta, refletindo desmonte de posições defensivas”, afirmou.
Ele também destacou o papel do fluxo externo no Brasil. “No Brasil, o movimento foi amplificado por fluxo estrangeiro consistente, direcionado à renda fixa e à bolsa, sustentado pelo elevado diferencial de juros mesmo diante da possibilidade de corte (da Selic) pelo Copom”, acrescentou.
O diretor da FB Capital, Fernando Bergallo, avaliou o comportamento do mercado doméstico. Segundo ele, houve alinhamento entre os principais indicadores. Ele classificou o cenário como de “coerência interna”, com valorização da bolsa e queda do dólar.
Durante a sessão, o Banco Central realizou leilão de 50 mil contratos de swap cambial para rolagem de vencimentos, sem impacto relevante nas cotações. No exterior, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de seis divisas, recuava 0,24%, aos 98,829 pontos no fim do dia. - 247.
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