O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu reorganizar as contas públicas sem prejudicar a população de baixa renda e preservar a competitividade eleitoral do governo.
Haddad destacou os resultados das políticas econômicas e sociais da atual gestão e avaliou que Lula tem grandes chances de reverter o resultado do primeiro turno e vencer a eleição presidencial em 25 de outubro.
“O papel do campo progressista é jogar luz sobre um projeto e mostrar que estamos, sim, recuperando este país. O grande desafio do governo Lula 3 foi fazer um ajuste na economia sem prejudicar as pessoas da base da pirâmide. Por isso são tão importantes os programas sociais, a isenção do imposto de renda e outras medidas que deram à economia brasileira uma resiliência que poucos de nossos vizinhos na América do Sul têm”, disse Haddad, em entrevista à Globonews.
“A competitividade do presidente Lula dependia de enfrentar com responsabilidade a herança do governo Bolsonaro nas contas públicas sem prejudicar a classe trabalhadora nem quem mais depende do SUS e da escola pública”, acrescentou Haddad.
“Considero que o presidente realizou uma proeza ao atravessar esse fio tão estreito e chegar competitivo, com grandes chances de reverter o resultado do primeiro turno e vencer estas eleições”, finalizou Haddad. - 247.
Governo Federal apontou que seis das onze aeronaves que foram disponibilizadas já chegaram ao Amazonas; 250 brigadistas estão no local - Foto: Michael Dantas/AFP
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Estado do Amazonas segue enfrentando problemas relacionados aos incêndios
florestais e a fumaça que compromete a qualidade do ar nesta segunda-feira, 12.
Manaus, a capital do Estado, amanheceu coberta por fumaça e registrou a pior qualidade do ar do Brasil pelo quinto dia consecutivo, de acordo com o indicador IQAir, que monitora a qualidade do ar ao redor do globo.
Em uma entrevista coletiva na Base Aérea de Manaus no domingo, 11, o ministro do Meio Ambiente e do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que o cenário observado é "mais grave do que ele imaginava" após realizar uma visita de monitoramento à região de Autazes.
Capobianco apontou que existem pontos de fogo em áreas preservadas e de difícil acesso. O ministro disse que há indícios de ação humana com o intuito de degradar o bioma no Estado do Amazonas.
"É fundamental que esses indivíduos que estão agindo criminosamente vejam que serão punidos", disse Capobianco.
Emergência no Amazonas
No sábado, 10, o MIDR (Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional) apontou que pelo menos 36 municípios do Amazonas estão em situação de emergência.
De acordo com um boletim divulgado no domingo, 11, pelo Ministério do Meio Ambiente, o IBAMA extinguiu 236 incêndios no Estado e segue atuando para combater outros 22 focos ativos no Amazonas.
O Governo Federal apontou que seis das onze aeronaves que foram disponibilizadas já chegaram ao Amazonas. 250 brigadistas estão no local e outros 40 estão em deslocamento para reforçar as operações.
Além da mobilização do governo federal, uma equipe do Estado de São Paulo também está no Amazonas para apoiar o combate aos incêndios florestais. A missão reúne 30 profissionais, incluindo 25 bombeiros e cinco integrantes da Defesa Civil estadual.
A equipe paulista deve concentrar seu trabalho no combate às chamas e na contenção da propagação do fogo.
Painel do fogo
De acordo com dados do Painel do Fogo, do Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia), que faz parte do Ministério da Defesa, o Estado do Amazonas registrou um aumento de 271% nos focos de incêndio nos primeiros dez dias do mês de outubro.
No período, foram registradas 1380 ocorrências, contra 372 no mesmo mês do ano passado. Segundo o Painel do Fogo, 1186 acontecimentos foram em áreas públicas, enquanto 93 foram em propriedades privadas.
246 registros ocorreram em assentamentos federais, 116 em terras indígenas, 97 em unidades de conservação e 174 em áreas associadas ao desmatamento.
Diante de uma plateia que entoava o nome do petista, a artista acompanhou o coro e fez um discurso sobre a importância da lucidez nas decisões
Ivete SangaloCrédito: Reprodução
A cantora Ivete Sangalo incentivou manifestações de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante um show realizado neste sábado (10), em Fortaleza, no Ceará. Diante de uma plateia que entoava o nome do petista, a artista acompanhou o coro e fez um discurso sobre a importância da lucidez nas decisões políticas, em meio à disputa do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
A manifestação foi registrada em um vídeo que circulou nas redes sociais. Durante a apresentação, Ivete, de 54 anos, abordou o cenário político brasileiro e reconheceu que parte da população tem motivos para expressar insatisfação com o governo, mas ressaltou que o descontentamento não deve se sobrepor à capacidade de avaliar as escolhas eleitorais.
“Estava pensando esses dias a respeito desse momento que a gente está vivendo, é um momento muito diferente. É o que estava cantando agora, ganhar ou perder faz parte, tudo isso é movimento das nossas vidas. Mas, quando a gente chega a um momento desse, queria dizer que compreendo que toda a impressão do erro, que todo descontentamento que alguém porventura possa ter, isso é legítimo, é coerente e relevante”, declarou a cantora.
Na sequência, Ivete reforçou sua defesa de decisões políticas orientadas pela reflexão, destacando que as divergências e frustrações fazem parte do debate público, mas não devem determinar, isoladamente, o posicionamento dos eleitores.
“A gente não pode deixar de lado o descontentamento, mas preciso dizer uma coisa a vocês que acho: o descontentamento não pode ser maior que a nossa lucidez. A gente se chateia com várias situações, mas tem escolhas que são através da lucidez. Espero que nós tenhamos a lucidez”, afirmou.
A manifestação ocorreu em um momento decisivo da corrida presidencial, que terá Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como adversários no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Embora tenha reconhecido a legitimidade das críticas à administração federal, a cantora aproveitou a reação do público para destacar a necessidade de ponderação diante das alternativas políticas apresentadas ao eleitorado.
O episódio ganhou repercussão nas redes sociais após a divulgação das imagens do espetáculo. O vídeo mostra a interação entre a artista e a plateia, seguida das declarações sobre o cenário nacional. - 247.
Durante ato neste domingo (11), o deputado petista destacou a forte reação da juventude e da militância após o susto do primeiro turno e criticou decisões judiciais contra a campanha
LulaCrédito: Ricardo Stuckert
Em discurso inflamado durante ato neste domingo (11), o deputado Lindbergh Farias trouxe uma mensagem de entusiasmo e mobilização para a militância petista: segundo ele, os levantamentos internos de monitoramento diário (trackings) já apontam a virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa de segundo turno.
A declaração foi recebida com festa pelos manifestantes. De cima do carro de som, Lindbergh enfatizou que a campanha entrou em uma nova fase de aceleração e que a militância superou a acomodação inicial.
“Eles estão desesperados com a reação”
O parlamentar ressaltou que a mobilização popular nas ruas e o engajamento digital foram decisivos para mudar o cenário político após a apuração da primeira etapa da eleição:
“Notícia aqui para vocês: agora nos trackings, agora domingo, o presidente Lula passa à frente. Tô falando de coração, pessoal: vamos acreditar! Eles estão desesperados com a reação. Tinha muita gente acomodada que tomou um susto com o resultado do primeiro turno e que acordou. A reação da juventude, a reação nas redes sociais…”
Lindbergh pontuou que o crescimento nas sondagens internas reflete diretamente a retomada do corpo a corpo, a militância nas esquinas e o dinamismo dos jovens que passaram a disputar voto a voto nas redes e no cotidiano.
Denúncia de censura e recurso no STF
O parlamentar também aproveitou o palanque para rechaçar restrições impostas por decisões da Justiça Eleitoral contra estratégias de comunicação e mobilização de apoiadores da campanha, como as iniciativas lideradas pelo deputado federal André Janones.
Lindbergh classificou as medidas como tentativas de frear a onda de mobilização popular e assegurou que o departamento jurídico da campanha já acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para restabelecer os canais e ações do movimento:
“Nós não podemos aceitar o que esse ministro Kassio Nunes fez. Isso é censura e mostra o desespero deles. A campanha do Lula já está entrando no Supremo Tribunal Federal para derrubar essa medida absurda.”
Reta final e apelo à mobilização total
Ao encerrar sua fala, Lindbergh convocou todos os presentes e a militância nacional a manterem a guarda alta e intensificarem as agendas de rua até o último minuto da campanha eleitoral:
“Gente, vamos acreditar! A gente tá mexendo nesse jogo com essa mobilização. Bora, Lula! Vamos salvar o Brasil!” - 247.
A professora aposentada Clara Davidorch, de 87 anos, foi à manifestação acompanhada de duas amigas, de 85 e 82 anos.
“Vim nesse ato pelo Lula e pelas mulheres que morreram para que eu pudesse votar. Tenho dois filhos e três netos e penso no futuro deles.”
Ela conta que está trabalhando nas ruas pela reeleição de Lula desde o dia 16 de agosto. “Venham votar. Estou muito otimista. A garotada nos encheu de gás”, disse a aposentada, em alusão às manifestações de estudantes em várias regiões do país.
Maria da Conceição Ricardo, Clara Davidorch (ao centro) e Júlia Brant durante ato em apoio ao presidente Lula, candidato à reeleição, na praia de Copacabana. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A estudante de pós-graduação em Gestão do Conhecimento da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Suelen Geovana, de 25 anos, veio de Campo Grande, na zona oeste, para participar do ato.
“Estou aqui porque luto pela democracia, pelo acesso à educação, à saúde e à igualdade para todos. Graças ao governo Lula, pude fazer uma faculdade pública. Entrei como cotista porque venho de uma família pobre. Estou otimista. A gente vai virar”, afirmou a estudante, em referência ao resultado do primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro (PL) teve 47,03% dos votos e Lula, 45,16%.
A a estudante Suelen Geovana (centro) segura cartaz durante ato em Copacabana. Foto:Tomaz Silva/Agência Brasil
A advogada Carolina Estrela, de 43 anos, levou os filhos Larissa, de 11 anos, e Davi, de 8 anos, à orla de Copacabana.
“As crianças devem ser criadas dentro de um movimento de entender o que acontece na dinâmica social. Viver é um ato político. Este é um momento importante para o país, em que a gente não está apenas escolhendo um representante para chefiar nossa nação, mas também decidindo sobre direitos humanitários e a defesa da dignidade da pessoa humana.”
Carolina acrescentou que não há nada mais educativo do que mostrar às crianças os dois lados. “Não quero que meus filhos cresçam num ambiente onde todo mundo pensa igual. Eu quero que eles tenham o direito de discordar. Esse é o processo democrático.”
Nesta segunda-feira, também estavam previstos atos em apoio ao presidente Lula em outros pontos do estado do Rio de Janeiro: em Niterói, na Praça da Cantareira; na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão; nos Arcos da Lapa, no centro do Rio; e em Nilópolis, na Praça dos Estudantes.
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A Agência Brasil buscou informações sobre atos de campanha do candidato Flávio Bolsonaro, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações e para a divulgação da agenda de campanha no país.
Em vídeo nas redes sociais, presidente afirma que medida deve garantir mais segurança e tranquilidade à população
LulaCrédito: Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou neste domingo (11) que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública terá uma nova etapa de votação na próxima quarta-feira (14), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Em vídeo publicado nas redes sociais, o presidente defendeu a aprovação da medida e afirmou que a proposta busca definir as atribuições da União, dos estados e dos municípios na área da segurança pública.
“Para o povo trabalhador, segurança. Para os bandidos, prisão. Eu acabo de receber uma boa notícia. Quarta-feira, o presidente da Comissão de Justiça vai votar, às nove horas da manhã, o primeiro item da emenda constitucional que define o papel do Governo Federal, dos governos estaduais e dos governos municipais na questão da segurança pública”, declarou Lula.
O presidente associou a proposta à ampliação da presença do governo federal no enfrentamento à criminalidade e à garantia de segurança para as comunidades. Segundo ele, a definição das responsabilidades de cada esfera de governo permitirá organizar a atuação das instituições na área.
“Definir o papel de cada um, porque nós vamos trabalhar com muito carinho para libertar as comunidades, libertar a rua. E quando o governo federal entrar na segurança pública, a gente vai garantir ao povo trabalhador, à comunidade, ao território, segurança. Aos bandidos, cadeia!”, afirmou.
Ao apresentar os objetivos da PEC, Lula também relacionou a proposta ao enfrentamento do domínio de organizações criminosas sobre territórios e à busca por mais tranquilidade para a população.
“Com a PEC da Segurança Pública, vamos libertar as comunidades do domínio do crime e garantir mais segurança e tranquilidade para quem mais precisa”, disse o presidente.
PEC da Segurança Pública avança no Senado
A previsão de votação na CCJ foi anunciada também neste domingo (11) pelo senador Camilo Santana (PT-CE), porta-voz da campanha de Lula e líder da bancada governista no Senado, segundo o Metrópoles.
De acordo com o senador, o presidente da comissão, Otto Alencar (PSD-BA), deverá colocar em votação os pontos pendentes da proposta na quarta-feira (14). O governo também pretende apresentar um requerimento para acelerar a análise da matéria no plenário do Senado.
O texto-base da PEC já havia sido aprovado pela CCJ no início de setembro, mas destaques apresentados pela oposição impediram o avanço da proposta para a votação em plenário.
Proposta prevê mudanças na segurança pública
A PEC incorpora o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) à Constituição e amplia as atribuições da União na área. A proposta também expande as competências da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal no combate às facções criminosas, além de prever tratamento mais rigoroso para líderes de organizações criminosas.
A medida é uma das principais iniciativas do governo Lula para a área da segurança pública. O presidente já afirmou que pretende desmembrar o Ministério da Justiça e criar uma pasta específica para a segurança pública caso a proposta avance.
O relator da PEC no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), manteve grande parte do texto aprovado pela Câmara dos Deputados em março, com o objetivo de acelerar a tramitação. - 247.
Professor da USP e referência internacional em direitos humanos afirma que a democracia brasileira enfrenta ameaças e critica a ausência de docentes nas manifestações em defesa das instituições
Paulo Sergio Pinheiro: decisão da ONU é também lei brasileira
O professor Paulo Sérgio Pinheiro, uma das principais referências brasileiras na defesa dos direitos humanos, alertou para os riscos que, em sua avaliação, uma eventual vitória da extrema direita nas eleições presidenciais representaria para a democracia, as universidades públicas e os direitos sociais. Em entrevista à TV 247, ele afirmou que a disputa política atual não pode ser tratada como uma alternância convencional de poder e manifestou preocupação com a possibilidade de um novo regime de exceção no Brasil.
Professor critica ausência de docentes em manifestações
Um dos principais pontos da entrevista foi a crítica de Paulo Sérgio Pinheiro à baixa participação de professores universitários em manifestações e debates sobre a situação política brasileira.
Ele relatou ter participado de uma atividade na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e demonstrou surpresa com o número reduzido de docentes presentes, apesar da participação expressiva dos estudantes.
“Isso não admite silêncio dos professores, nem dos estudantes, nem dos funcionários”, declarou.
Pinheiro afirmou que as universidades públicas possuem uma responsabilidade histórica na defesa da democracia e recordou a atuação de intelectuais que marcaram a trajetória da instituição.
Entre eles, destacou o sociólogo Florestan Fernandes, lembrando uma declaração feita durante uma cerimônia de formatura em 1964 sobre o papel dos intelectuais universitários na construção democrática.
O professor ressaltou que não estava propondo a paralisação das atividades acadêmicas, mas defendendo maior participação da comunidade universitária no debate público.
Segundo ele, a realização de pesquisas, aulas e outras atividades profissionais não deveria impedir o envolvimento dos docentes nas discussões sobre o futuro das instituições.
Pinheiro recorda ataques às instituições e tentativa de golpe
Na avaliação de Paulo Sérgio Pinheiro, o governo Jair Bolsonaro deixou um histórico que precisa ser considerado na análise das propostas políticas atuais.
O professor mencionou os ataques às universidades, as pressões sobre intelectuais, as políticas de direitos humanos e o confronto com instituições democráticas.
Ele também destacou a importância do Supremo Tribunal Federal (STF) na responsabilização dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e nas investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.
Pinheiro criticou as propostas de anistia e indulto aos condenados por envolvimento nos ataques às instituições.
Para ele, a discussão sobre essas medidas não pode ser dissociada das ameaças feitas anteriormente ao funcionamento do Poder Judiciário.
O professor também recordou as investigações sobre planos de assassinato de autoridades, incluindo o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin, no contexto da trama golpista.
Risco para universidades públicas preocupa professor
Paulo Sérgio Pinheiro demonstrou preocupação particular com o futuro das universidades públicas em São Paulo.
Ele associou esse temor à reeleição do governador Tarcísio de Freitas e à possibilidade de mudanças nas condições de financiamento das instituições estaduais.
O professor mencionou a importância das receitas tributárias destinadas à USP, à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e à Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Na sua avaliação, uma eventual convergência política entre os governos estadual e federal poderia ampliar as pressões sobre o sistema público de ensino superior.
Essas preocupações foram apresentadas como uma avaliação política do professor, e não como anúncio de medidas já definidas pelos governos.
Pinheiro defendeu que a comunidade acadêmica acompanhe de perto as discussões sobre orçamento, autonomia universitária e financiamento da pesquisa.
Professor teme repetição agravada do governo Bolsonaro
Ao comentar a possibilidade de um novo governo liderado pela família Bolsonaro, Pinheiro afirmou temer uma repetição mais intensa dos conflitos institucionais registrados entre 2019 e 2022.
O professor comparou essa hipótese à diferença que identifica entre o primeiro e o segundo mandato de Donald Trump nos Estados Unidos.
Na sua avaliação, o retorno de um projeto político ao poder pode ocorrer em condições distintas, com maior experiência administrativa e uma base de apoio institucional diferente.
Pinheiro também questionou declarações de Flávio Bolsonaro sobre mudanças constitucionais, defendendo atenção aos limites estabelecidos pela Constituição de 1988.
O professor mencionou manifestações do ex-ministro do STF Celso de Mello sobre a proteção das garantias constitucionais e os limites do poder de reforma da Carta.
Direitos sociais e trabalhadores também estariam em jogo
A preocupação de Paulo Sérgio Pinheiro não se restringe às universidades e às instituições políticas.
Durante a entrevista, ele afirmou que as consequências de eventuais mudanças de orientação econômica e social poderiam atingir especialmente os trabalhadores e as famílias de menor renda.
O professor citou políticas relacionadas à valorização salarial, às aposentadorias, à preservação de direitos e ao emprego.
Pinheiro argumentou que o debate eleitoral precisa considerar os efeitos concretos das propostas econômicas sobre a vida da população.
Ele também chamou atenção para o comportamento eleitoral de diferentes faixas de renda, defendendo uma análise mais aprofundada das razões que levam grupos sociais distintos a apoiar determinados candidatos.
Na sua avaliação, as políticas sociais e trabalhistas constituem parte essencial da discussão sobre o futuro do país.
Universidade deve preservar sua tradição democrática
Ao refletir sobre a trajetória da USP, Paulo Sérgio Pinheiro lembrou que a instituição foi marcada pela atuação de professores e pesquisadores que enfrentaram períodos autoritários e contribuíram para a redemocratização do Brasil.
O professor afirmou que a memória dessa atuação precisa continuar presente na vida universitária.
Ele também destacou manifestações recentes organizadas por integrantes da comunidade acadêmica, mencionando a participação do filósofo Vladimir Safatle em iniciativas de debate e mobilização.
Para Pinheiro, a universidade não deve se limitar à produção de conhecimento especializado, mas também contribuir para a compreensão pública dos desafios enfrentados pela sociedade.
Sua principal preocupação, reiterou, é que professores, estudantes e funcionários reconheçam a gravidade das questões institucionais em discussão e participem ativamente do debate democrático.
A entrevista à TV 247 apresentou, assim, uma avaliação contundente de Paulo Sérgio Pinheiro sobre os riscos políticos que identifica no cenário brasileiro, com ênfase na defesa das instituições, da autonomia universitária e dos direitos humanos. - 247.