segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Maioria de Pernambuco é favorável à intervenção no Rio

Mesmo parlamentares de oposição não veem clima para votar contra. E, até entre aliados, avalia-se que ela não contempla medidas duras no custeio da máquina

Deputados dizem que medida serviu para "esconder o pai da derrota" da Reforma da Previdência
Deputados dizem que medida serviu para "esconder o pai da derrota" da Reforma da PrevidênciaFoto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil


A maioria dos deputados de Pernambuco votarão pela aprovação do decreto de intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro. Ouvidos pela Folha de Pernambuco, os parlamentares fizeram ressalvas quanto à superficialidade do texto, que não especifica o planejamento da operação e nem traz dados sobre a violência, que justifiquem o porquê de apenas o Rio obter esse tratamento. Todavia, a expectativa é de que a matéria seja aprovada sem maiores entraves.

O decreto, assinado no início da tarde da última sexta-feira (16), já foi enviado para a Câmara dos Deputados. Devido à urgência, a pauta da Câmara dessa semana precisou ser reformulada, mas espera-se que a votação do decreto se dê por volta das 19h desta segunda-feira (19). Como as comissões ainda não estão estruturadas, a votação ocorre diretamente no plenário. A relatoria da matéria ficou com a deputada Laura Carneiro (MDB-RJ).

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Entre os parlamentares ouvidos pela Folha, adiantaram posição favorável: André de Paula (PSD), Bruno Araújo (PSDB), Betinho Gomes (PSDB), Cadoca (sem partido), Danilo Cabral (PSB), Eduardo da Fonte (PP), Fernando Monteiro (PP), Jarbas Vasconcelos (MDB), Jorge Côrte Real (PTB), Luciano Bivar (PSL), Marinaldo Rosendo (PSB), Ricardo Teobaldo (Pode), Silvio Costa (Avante) e Zeca Cavalcanti (PTB). Embora o PSDB deva encaminhar voto ‘sim’, o deputado Daniel Coelho (PSDB) preferiu não emitir opinião. O deputado Gonzaga Patriota (PSB) também não quis opinar. Os demais não foram localizados.

Há um consenso de que a situação do Rio justifica uma ação imediata contra o crime organizado. "Todos nós estamos acompanhando o que está ocorrendo no Rio. O próprio governador reconheceu que não consegue mais lidar com essa questão da segurança", observa Jarbas Vasconcelos.

“Acho que isso é a reação à desarrumação geral que ocorreu no Carnaval. O Rio é cartão postal do País e o estado falido ocasiona a ação de um estado paralelo onde o crime está tomando conta. Não dá pra ficar com braços cruzados”, afirma André de Paula. "Acho que estava desmantelado, tinha que ter uma intervenção, sim. Eu sou a favor das tropas nas ruas, porque a polícia perdeu o controle sobre o tráfico e a violência. É preciso dar um freio", pondera Zeca Cavalcanti.

Betinho Gomes adverte: "Esse problema está presente na segurança, mas outros serviços, como saúde e educação, estão comprometidos. O governo não tem autoridade política. No fim das contas, é um problema fiscal que justifica uma intervenção na gestão do Rio”. Nos bastidores, o sentimento é de que a bancada do PSDB tem dúvidas sobre a eficácia da medida. Avalia-se, entre tucanos, que a intervenção como está posta não vai entrar no principal, que são medidas administrativas duras no custeio da máquina e que as polícias Militar e Civil vão continuar sem estrutura para atuar.

Do PSB, que vem exercendo oposição à gestão Temer, o deputado Danilo Cabral faz críticas à "conveniência" da proposta. "Eu sou favorável, apesar de achar que foi mais uma conveniência tirar a Previdência da pauta e lançar uma cortina de fumaça sobre a segurança no Rio. Essa não é uma resposta estruturante. A União precisa assumir seu papel e passar a controlar as fronteiras, por onde se deixa passar drogas e armas", repreende o socialista e emenda: "No caso da Previdência, já está morta. E a intervenção serviu pra esconder o pai da derrota. Nós gostaríamos que fosse derrotada no plenário".

Jorge Côrte Real enxerga que o estado fluminense tem recebido tratamento especial sem dar respostas administrativas condizentes. “Tem outros estados que sofrem do mesmo mal. Por que só o Rio? Precisamos de um planejamento e de informações suficientes para que o parlamentar vote com segurança”, justifica Jorge, alegando que não tem como ser contra a intervenção.

Silvio Costa, um dos nomes ressonantes da Oposição, acredita que "a intervenção foi uma forma que Temer utilizou para evitar a derrota na votação da reforma da Previdência". "Não vou fazer confusão nenhuma nesse assunto. Mas sabemos que Michel Temer está fazendo política disso", sublinha. Para Teobaldo e Eduardo da Fonte, foi uma maneira de empurrar o debate sobre o sistema previdenciário para a eleição. "Esse tema precisa ser amplamente discutido, para que o próximo presidente tenha legitimidade ao colocar o assunto em pauta", afirmou o progressista.(Folhape).


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