segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Água da Transposição já chega a Cústódia, em Pernambuco

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Foto divulgação
A Transposição do Rio São Francisco já leva água até Custódia, no Sertão de Pernambuco. Segundo o Ministério da Integração Nacional, responsável pela obra, falta pouco para a água do Velho Chico beneficiar a população de Pernambuco e da Paraíba, estados diretamente beneficiados pelo Eixo Leste do projeto. Neste domingo (12), a água que chegou à quarta estação de bombeamento (EBV-4) do Eixo Leste, exatamente em Custódia, completando um percurso de 96,5 quilômetros.

A água agora segue por gravidade até a quinta elevatória (EBV-5), localizada em Sertânia (PE), última cidade de Pernambuco antes de a água chegar a Paraíba. A expectativa do Ministério da Integração Nacional é atender Monteiro (PB) no próximo mês de março.

Desde o último dia 30, a água avançou por mais de 60 quilômetros entre a terceira (EBV-3) e a quarta estação de bombeamento (EBV-4) do Eixo, passando por três reservatórios Salgueiro, Muquém e Cacimba Nova) e um aqueduto (Jacaré). A EBV-3 foi acionada pelo presidente da República, Michel Temer, e pelo ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, em Floresta (PE).

Prioridade do Governo Federal, a maior obra de infraestrutura hídrica do País, quando totalmente concluída, vai atender mais de 12 milhões de pessoas em 390 municípios nos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. (DP).


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Servidores do Detran entram em greve a partir de hoje

Decisão foi votada em assembleia na semana passada
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Os servidores do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE) entram em greve por tempo indeterminado a partir desta segunda-feira. A decisão foi votada na assembleia da categoria, realizada na manhã desta quarta-feira no pátio da sede do órgão, no bairro da Iputinga, no Recife.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Servidores do Detran (Sindetranpe), Alexandre Bulhões, a paralisação foi deflagrada, uma vez que o governo não comvovou a classe para discutir acordos feitos nos anos de 2015 e 2016 e não concretizados. "Estão em aberto a licitação definitiva do plano de saúde; o pagamento da gratificação de ue trabalho no pátio de exames, deacordo com a lei de 200;  insalubiridade do vistoriador; a extensão da gratificação dada a quem tabalha nos shoppings para todos os servidpres em respeito ao princípio da isonomia salarial; além da reposição das perdas salariais acumuladas em 27% e a reestrtururação do plano de cargos", explicou o sindicalista.

Fora isso, a categoria também quer o reajuste no valor do tíquete de alimentação para R$ 600, concurso público para preechimento do quadro funcional, que, segundo o sindicato, tem um déficit de cerca de 500 servidores; cancelamento do contrato dos terceirizados que exercem funções de servidores públicos; fim da perseguição a um servidor; e diminuição ou cancelamento das taxas cobradas aos usuários do Detran-PE por serem cobranças ilegais.

Durante a realização da assembleia, esta manhã, os serviços dos postos de atendimento ficaram suspensos na sede do órgão, nas Circunscrições Regionais de Trânsito e nos demais postos de atendimento em geral. Os funcionários voltaram ao trabalho a partir das 11h.(DP).

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Saque de contas inativas do FGTS começa em março

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De acordo com executivos da Caixa, o saque do dinheiro das contas inativas do FGTS para pessoas que nasceram entre janeiro e fevereiro começa em março. Nesta terça-feira, o governo anunciará oficialmente o calendário completo, que seguirá até julho.

Terão direito aos saques aqueles que pediram demissão ou foram demitidos por justa causa e ficaram com o dinheiro retido na Caixa. No entanto, o acesso aos recursos está restrito a quem deixou o emprego até 31 de dezembro de 2015. Para quem perdeu o período de retirar o dinheiro, o presidente Michel Temer vai assinar um decreto estipulando um prazo até o dia 31 de julho.

Para mais informações sobre o saque, o site da Caixa, no aplicativo FGTS, oferece o serviço.


CALENDÁRIO DE SAQUE

Em março
nascidos em janeiro e fevereiro

Em abril
nascidos em março, abril e maio

Em maio
nascidos em junho, julho e agosto

Em junho
nascidos em setembro, outubro e novembro

Em julho
nascidos em dezembro 
(DP).

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Banco Mundial: crise pode levar 3,6 milhões de brasileiros de volta à pobreza


A crise econômica poderá levar até 3,6 milhões de brasileiros para abaixo da linha de pobreza até o fim do ano. A estimativa é do Banco Mundial, que divulgou estudo referente ao impacto da recessão sobre o nível de renda do brasileiro. A projeção considera que a economia encolherá 1% no segundo semestre de 2016 e no primeiro semestre deste ano (ano-fiscal 2016/2017).
Num cenário mais otimista, que prevê crescimento de 0,5% da economia nesse período, o total de pobres subiria em 2,5 milhões, segundo o Banco Mundial.
Pelos critérios do estudo, são consideradas abaixo da linha de pobreza pessoas que vivem com menos de R$ 140 por mês. Segundo o Banco Mundial, a maior parte dos “novos pobres” virá das áreas urbanas. O aumento da pobreza na zona rural, segundo o estudo, será menor porque as taxas de vulnerabilidade já são elevadas no campo.
Bolsa Família
O estudo também avaliou o impacto do aumento da pobreza no Programa Bolsa Família. De acordo com o Banco Mundial, 810 mil famílias passariam a depender do benefício no cenário mais otimista (crescimento econômico de 0,5%) e 1,16 milhão na previsão mais pessimista (queda de 1%).
Atualmente, o Bolsa Família tem 14 milhões de famílias cadastradas, informa o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário.
O Banco Mundial recomenda a expansão do Bolsa Família para fazer frente à crise. “A profundidade e duração da atual crise econômica no Brasil cria uma oportunidade para expandir o papel do Bolsa Família, que passará de um programa redistributivo eficaz para um verdadeiro programa de rede de proteção flexível o suficiente para expandir a cobertura aos domicílios de 'novos pobres' gerados pela crise”, destacou o estudo.
De acordo com o Banco Mundial, o Brasil conseguiu construir uma das maiores redes de proteção social do mundo. A instituição recomenda que o orçamento do Bolsa Família cresça acima da inflação para ampliar a cobertura e atender a um número crescente de pobres. No cenário mais otimista, o programa deveria subir 4,73% acima da inflação acumulada entre 2015 e 2017. Na previsão mais pessimista, a alta deveria ser 6,9% superior à inflação.
Em termos nominais, o orçamento do Bolsa Família subiria de R$ 26,4 bilhões no fim de 2015 para R$ 30,41 bilhões este ano na simulação que considera crescimento econômico e para R$ 31,04 bilhões no caso de um novo encolhimento da economia. O estudo não considerou o efeito da introdução do teto para os gastos públicos, que entrou em vigor este ano, mas avalia que o ajuste fiscal não seria comprometido com a ampliação do Bolsa Família.
“O ajuste fiscal que vem sendo implementado no Brasil pode ser alcançado praticamente sem onerar ou onerando muito pouco a população pobre”, destacou o Banco Mundial. “A despeito das limitações no espaço fiscal a médio prazo, existe uma grande margem para ampliar o orçamento para os elementos mais progressivos da política social, remanejando verbas de programas de benefícios e melhorando a eficiência do gasto público.” (EBC).

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Temer autoriza uso das Forças Armadas para reforçar segurança no Rio de Janeiro

Forças Armadas reforçam segurança no Complexo da Maré.

O presidente Michel Temer autorizou o uso das Forças Armadas no Rio de Janeiro para auxiliar o policiamento das ruas em meio à mobilização das mulheres de policiais militares, iniciada na última sexta-feira (10). O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, foi recebido hoje (13) por Temer, no Palácio do Planalto, para discutir o assunto.
No momento, o governo trabalha no planejamento da ação para decidir quantos militares serão enviados ao estado ou deslocados para essas atividades. Também estão sendo estudados os locais em que atuarão e a data de início das ações, prevista inicialmente para amanhã (14). A autorização é a mesma concedida na semana passada para uso das tropas no Espírito Santo, onde familiares de policiais impediam a saída de viaturas em forma de protesto.
Nesta manhã, no centro do Rio, manifestantes acampadas bloquearam a saída do prédio do Batalhão de Choque, onde funcionam unidades como o Batalhão de Policiamento em Grandes Eventos(EBC).

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Defensoria Pública de São Paulo lança cartilha para combater machismo

Machismo no Brasil
Bem Bolado- Foto ilustração
A Defensoria Pública de São Paulo lançou a cartilha Vamos falar sobre masculinidade?, que traz orientações sobre como coibir o machismo na sociedade. Serão disponibilizadas 10 mil cópias em todas as unidades do órgão e também no site da defensoria.
Yasmin Pestana, defensora pública e coordenadora auxiliar do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, disse que o objetivo é estimular o debate sobre gênero. “Esse perfil que a gente chama de masculinidade hegemonizada, um padrão de como deve ser o homem – não pode demonstrar sensibilidade, não pode chorar, tem que ser provedor –, tudo isso tem que ser discutido nas localidades”, afirmou.
A defensora explicou que os homens, público-alvo da campanha, poderão refletir sobre sua conduta. “A cartilha surge diante da necessidade de se discutir com os homens, não só aqueles que já tiveram envolvimento criminal com violência doméstica, mas todos os homens, sobre o machismo”.
A publicação fala sobre violência doméstica, Lei Maria da Penha e orienta sobre serviços de acolhimento, mas traz ainda outras reflexões. “Vincular masculinidade a agressividade e autoritarismo reverbera para a prática da violência doméstica”, disse.
Yasmin informou que o núcleo do qual participa, idealizador do material, tem como função fornecer suporte teórico e prático aos defensores públicos, em âmbito estadual. São cerca de 40 municípios atendidos. Além disso, o núcleo é responsável pela fiscalização e o monitoramento de politicas públicas voltadas à proteção da mulher.
Nesta semana, serão organizadas duas rodas de discussões. Amanhã (14), o evento será das 19h às 21h30, na Defensoria Pública em Santo André. Na quarta-feira (15), o debate ocorre das 17h às 19h30 na Defensoria Pública em Ferraz de Vasconcelos. Os debates são abertos e não precisam de inscrições.(EBC).

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Cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo têm epilepsia, alerta OMS

Foto ilustração
Aproximadamente 50 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de epilepsia, um tipo de transtorno mental crônico que afeta homens e mulheres de todas as idades. Os números, divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), posicionam a epilepsia como uma das doenças neurológicas mais comuns no planeta.
No Dia Internacional da Epilepsia, lembrado hoje (13), a entidade alertou que quase 80% dos casos registrados globalmente estão em países de baixa e média renda. Os dados revelam que três quartos das pessoas com a doença que vivem nessas localidades não recebem tratamento adequado – ainda que o transtorno responda aos remédios em até 70% dos pacientes.
“Em muitas partes do mundo, pessoas com epilepsia e suas famílias sofrem com o estigma e a discriminação”, destacou a OMS.
Doença
A epilepsia é caracterizada por convulsões recorrentes – breves episódios de movimento involuntário que podem envolver uma parte do corpo ou todo o corpo, algumas vezes acompanhados de perda de consciência e do controle da bexiga ou do intestino.
Os episódios de convulsão são resultado de descargas elétricas excessivas num grupo de células cerebrais, sendo que diferentes partes do cérebro podem ser atingidas pelo problema. As convulsões podem variar entre breves lapsos de atenção e espasmos musculares até episódios prolongados e severos.
Uma única convulsão não necessariamente significa diagnóstico de epilepsia, já que até 10% da população global apresenta pelo menos um episódio desses ao longo da vida. A doença é caracterizada após o registro de duas ou mais convulsões não provocadas.
“A epilepsia é uma das mais antigas condições reconhecidas no mundo, com registros escritos datando de 4000 a.C. Medo, desconhecimento, discriminação e estigma social têm cercado a epilepsia há séculos. Esse estigma permanece em diversos países atualmente e pode impactar na qualidade de vida das pessoas com o transtorno e suas famílias”, informou a OMS.
Sinais e sintomas
As características das convulsões variam e dependem da parte do cérebro inicialmente afetada pelo transtorno e do quão rápido ele se espalha. Sintomas temporários podem ocorrer, como perda de consciência, além de perturbações de movimento, sensação (incluindo visão, audição e paladar) e humor.
Pessoas com convulsões tendem a apresentar mais problemas físicos, como fraturas e contusões provocadas pelos episódios, assim como taxas mais altas de condições psicológicas, incluindo ansiedade e depressão. Além disso, o risco de morte prematura em pacientes com epilepsia chega a ser três vezes maior que na população em geral, sendo que as maiores taxas são registradas em países de baixa e média renda.
“Grande parte das causas de morte relacionadas à epilepsia em países de baixa e média renda são potencialmente preveníveis, como quedas, afogamento, queimaduras e convulsões prolongadas”, acrescentou a OMS.
Causas
A epilepsia não é contagiosa. O tipo mais comum, denominado epilepsia idiopática, afeta seis entre dez pessoas com a doença e não tem causa definida. Já o tipo de epilepsia de causa conhecida é denominado epilepsia secundária ou epilepsia sintomática. As principais causas, nesses casos, são:
- dano cerebral provocado por lesões pré-natais ou perinatais, como perda de oxigênio ou trauma durante o parto e baixo peso ao nascer;
- anormalidades congênitas ou condições genéticas associadas a malformações cerebrais;
- ferimento grave na cabeça;
- derrame que limite a quantidade de oxigênio no cérebro;
- infecções do cérebro, como meningite, encefalite e neurocisticercose;
- determinadas síndromes genéticas;
- tumor cerebral.(EBC).


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Brasil precisa rever política criminal, diz representante da ONU

Brasília - Amerigo Incalterra, representante do Escritório Regional do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos que cobre a América do Sul, concede entrevista à Agência Brasil (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Representante na América do Sul do Escritório Regional do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, Amerigo Incalterra cobra o cumprimento de acordos assinados pelo BrasilMarcelo Camargo/Agência Brasil

A primeira visita ao Brasil do representante para a América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh), Amerigo Incalcaterra, desde dezembro de 2015 coincidiu com uma das mais grave crises da história da segurança pública no país. Para o italiano, as cenas de presos matando uns aos outros e assumindo o controle de presídios demonstram o fracasso da atual política criminal, que tenta prevenir e punir quase todo tipo de infração penal com o encarceramento. O resultado, segundo ele, é a alta população carcerária no Brasil, uma das maiores do mundo, e o desafio do poder do Estado pelas organizações criminosas.
Incalcaterra, no entanto, não considera a situação atual uma surpresa e lembra que há tempos a ONU recomenda mudanças legais e mais investimentos para que o país possa melhorar as condições das cadeias e enfrentar a criminalidade, com o fornecimento de condições de ressocialização aos presos. Para o representante da ONU, problemas como a superlotação dos presídios não serão resolvidos sem mudanças efetivas na política criminal.
Após passar três dias se reunindo com representantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, do Ministério Público e da sociedade civil organizada, o representante das Nações Unidas manifestou à Agência Brasil a preocupação com propostas de leis que, segundo ele, não levam em conta os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.


Agência Brasil – Há pouco mais de um ano o senhor não vinha ao Brasil. Durante seus dias no país, de 7 a 10 de fevereiro, algo chamou sua atenção em termos de mudanças em relação aos direitos humanos?
Incalcaterra – Encontramo-nos diante de situações complexas, como o tema carcerário. É um horror o que ocorreu em estabelecimentos penais do Amazonas, de Roraima e do Rio Grande do Norte. Mas não é novidade, nem surpresa. [As causas de] Tudo o que aconteceu e está acontecendo vem sendo denunciado há tempos. Em 2015, membros do Subcomitê das Nações Unidas para a Prevenção da Tortura estiveram no país e identificaram em seus relatórios públicos todas as dificuldades enfrentadas no sistema carcerário. É uma situação muito grave, lamentável e preocupante. Principalmente porque evidenciou que as autoridades não tinham o controle do interior dos estabelecimentos carcerários, o que coloca em xeque qualquer projeto de ressocialização dos presos. Sem o controle do que ocorre no interior das prisões, é muito difícil implementar qualquer programa de trabalho ou pedagógico.

ABr – Algo mais chamou sua atenção?

Incalcaterra – Também nos preocupa que o Poder Legislativo e, às vezes, o Poder Executivo, que tem enviado propostas de leis ao Congresso Nacional, deixem de considerar em seus projetos compromissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro. Muitos temas importantes que estão sendo discutidos no Congresso revelam um certo desconhecimento, como se acordos já ratificados pelo país simplesmente não existissem – embora, por força desses mesmos acordos internacionais, tenham passado a integrar a própria legislação brasileira.

É o caso, por exemplo, do debate em torno da reforma da Previdência Social, que impacta milhões de brasileiros. Uma discussão que deve levar em conta também as normas internacionais e os marcos legais da Organização Internacional do Trabalho. Mesmo caso da já aprovada Emenda Constitucional 55 [a chamada Emenda do Teto dos Gastos, que limita os gastos públicos pelos próximos 20 anos e foi aprovada em dezembro de 2016], que pode acarretar sérios riscos em matéria de direitos econômicos, sociais e culturais. O debate de temas como direitos sexuais reprodutivos; demarcações de povos tradicionais [quilombolas, índios, ribeirinhos, etc], entre outros, nos preocupa por esse mesmo motivo: não considerar os marcos legais internacionais a que o Brasil se comprometeu a observar.
ABr – Especificamente em relação aos direitos humanos, isso não pode ser um reflexo do momento, já que uma parcela significativa da população tem uma visão negativa sobre o assunto, associando a promoção dos direitos humanos à defesa de criminosos e da impunidade?

Incalcaterra – Mas os países não só têm que ser coerentes com os compromissos internacionais que assumem como precisam empenhar esforços para que a população entenda a envergadura, a importância desses pactos. É responsabilidade das autoridades explicar isso e a real importância dos direitos humanos para toda a população.

Por exemplo: em 2015 foram estabelecidos os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável [https://nacoesunidas.org/pos2015/], uma grande agenda de direitos humanos. Diversos países acordaram que todas as ações dos Estados nacionais devem estar voltadas à melhoria das condições de vida das pessoas. Os países assumiram a obrigação de implementar as ações necessárias para atingir as 17 metas estabelecidas em conjunto e informar aos demais o que vem fazendo ao longo do tempo para atingir esses objetivos. Se uma medida qualquer, como o teto dos gastos, coloca em risco esse compromisso, evidentemente que há algo em que se pensar. O Brasil faz parte de um mundo cada vez mais globalizado, no qual o que acontece com um país afeta os demais.
ABr – Voltando à crise no sistema penitenciário, o que é preciso fazer para combater a ação das organizações criminosas, reduzir a população carcerária e possibilitar a ressocialização a mais pessoas que estejam cumprido pena.

Incalcaterra – Já há plena consciência quanto aos problemas. Falta implementar de forma articulada os mecanismos, as soluções já discutidas. Consideramos fundamental rever a política criminal. O Brasil poderá vir a ter os melhores e maiores presídios do mundo, mas se seguir prendendo mais e mais gente sem ressocializá-la, não haverá saída. A situação carcerária é gravíssima, mas não pode ser considerada isoladamente, pois é um problema que não será resolvido sem mudanças efetivas e simultâneas na política criminal.

ABr – Que tipo de mudanças?

Incalcaterra – Sem uma reforma dos marcos legais, seguiremos alimentando os presídios. Os cárceres superlotados não serão esvaziados sem a aplicação integral da Lei de Execução Penal. Construir mais e mais presídios também não é a solução. Com cerca de 622 mil presos [dados do Departamento Penitenciário Nacional], o Brasil já era, em 2014, o país com a quarta maior população carcerária do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Rússia. Mais da metade dessa população carcerária tem menos de 29 anos; é composta por afrodescendentes e menos de 10% concluiu o ensino médio.

A maior parte dos encarcerados está presa por porte de pequenas quantidades de drogas ou crimes contra o patrimônio. Poucas dessas pessoas são reincorporadas à sociedade após cumprirem suas penas. As organizações criminosas se aproveitam dessas pessoas. Diante desses dados, é preciso refletir onde estamos falhando e se o caminho a seguir é este, com o aumento das taxas de encarceramento, ou se há alternativas.
ABr – Várias medidas apontadas como soluções para aspectos do problema carcerário parecem ser consensuais, como a importância de o Estado oferecer chances de o preso trabalhar e estudar. A questão, segundo sucessivos governos, é como implementar essas medidas, principalmente em um momento de crise financeira como o atual, onde os recursos parecem ser insuficientes. Como o senhor analisa essa questão?

Incalcaterra – Não creio que a implementação de algumas das medidas já discutidas esbarre na falta de recursos. O Fundo Nacional Penitenciário [Funpen, criado em 1994], deve destinar recursos para os estados implementarem melhorias no sistema penitenciário e é um exemplo de coisas positivas feitas nos últimos anos. O Conselho Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, por sua vez, indicou que a liberação desses recursos deve estar condicionada à criação, pelos estados, de conselhos e mecanismos estaduais de prevenção e combate à tortura, o que facilitaria o monitoramento da situação dos presídios. A aplicação da Lei de Execução Penal implica que os juízes se aproximem dos cárceres, entrevistem os presos. Oxalá o Congresso Nacional aprove a Lei de Audiência de Custódia. Há diversas iniciativas em debate ou já aprovadas que só precisam ser implementadas adequadamente.

ABr – O Tribunal Penal Internacional vem discutindo a inclusão dos grandes crimes ambientais entre os crimes contra a humanidade. Pelo que já se sabe, a Corte pretende passar a julgar empresas e dirigentes políticos responsáveis por catástrofes ambientais. Se implementada, o que essa medida representará em termos de promoção e preservação de um meio ambiente equilibrado para a atual e as futuras gerações? Quais os possíveis impactos disso para o Brasil?

Incalcaterra – Esperamos que a Corte adote essa linha. Os países estão obrigados a mudar radicalmente a forma como atuam em relação ao meio ambiente. Sem isso, os efeitos das mudanças climáticas serão dramáticos. E cabe aos estados nacionais monitorar e supervisionar a atividade industrial capaz de produzir desastres naturais. A ONU também já implementou um conjunto de princípios a serem observados pelas empresas, que devem respeitar os direitos humanos em seu sentido mais amplo. Cabe aos executivos analisar quando uma operação comercial pode causar danos e que medidas de mitigação e de reparação devem ser aplicadas.(EBC).


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Protesto impede entrada e saída de policiais no Batalhão de Choque


Rio de Janeiro - Parentes de PMs fazem protesto em frente ao Batalhão de Polícia de Choque, no centro da capital fluminense (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Parentes de PMs fazem protesto em frente ao Batalhão de Polícia de Choque, no centro da capital fluminenseTomaz Silva/Agência Brasil

Manifestantes acampadas continuam a bloquear, na manhã de hoje (13), a entrada do Batalhão de Choque, no centro do Rio de Janeiro. Com uma farda manchada de vermelho e faixas pedindo melhores condições de trabalho para policiais militares, as mulheres estão impedindo a entrada e saída do prédio, onde funcionam unidades como o Choque e o Batalhão de Policiamento em Grandes Eventos.
Do lado de fora, dezenas de policiais que começariam seus turnos na manhã de hoje aguardam na calçada.
As manifestantes cobram o pagamento de horas extras do segundo semestre de 2016, incluindo as dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. O governo do estado também deve aos policiais o pagamento do décimo terceiro salário e de prêmios por cumprimento de metas. 
"A gente só vai sair quando pagarem tudo que prometeram. A gente não quer nada absurdo, só o que eles estão devendo", disse a mulher de policial militar que não quis se identificar. "Meu marido tem que pegar dinheiro comigo para ir trabalhar. O cartão de crédito dele eu já nem sei mais como está, virou uma bola de neve".
Segundo a mulher, o protesto tem recebido apoio da população: todos os mantimentos consumidos no acampamento são doados.
Um policial que não quis se identificar disse que é casado com uma policial militar e que a família tem sofrido com o atraso dos dois pagamentos. "O que tem me sustentado é a minha esposa vendendo cosméticos. Eu nunca imaginei que fosse passar por isso tendo três filhos."
Na porta do 6º Batalhão de Polícia Militar, na Tijuca, três mulheres controlam a entrada e saída de militares e viaturas. Sem se identificar, elas disseram que fizeram um acordo com o comandante do BPM para permitir que um efetivo mínimo policie as ruas da região.
"Para garantir a segurança da Tijuca e da Grande Tijuca, um efetivo mínimo de policiais está nas ruas, com policiais equipados", informou uma das mulheres dos policiais. "Não vamos sair daqui enquanto as reivindicações não forem atendidas."
As manifestantes, que dizem ter apoio da população, estão revistando os policiais e os carros que deixam o batalhão, para impedir que saiam com fardas e armas escondidas.
"Eles falam que a causa é justa e que o policial não pode ser tratado como é tratado", relatou uma delas, que enumerou problemas como a falta de coletes à prova de bala. "O policial hoje não faz concurso pra ser PM, faz concurso para ser alvo de bandido."
Por meio de nota, a Polícia Militar do Rio de Janeiro informou que batalhões com deficiência no efetivo estão recebendo apoio de outras unidades.
"A Polícia Militar está utilizando de todos os meios disponíveis para colocar o policiamento nas ruas em locais onde há impasse com os manifestantes. Porém, reforçamos que estamos em diálogo constante com as lideranças a fim de conscientizar sobre a importância da saída do policiamento."
*Matéria atualizada às 12h27 para acréscimo de informações.(EBC)

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